segunda-feira, 25 de maio de 2009

Sonhos Pt. II

Num instante, que durou horas, estava ali: sentado ao chão, sobre um colchão velho. Uma janela ao fundo. Sua cabeça batera na parede, e em seguida constatou; estava cego. Olhei em seus olhos, e suas cores haviam mudado, estavam azuis. Um azul-perdido. A hipertensão fazia-o tremer. Frente a esta situação, agora meus olhos enchiam-se de lágrimas. "Água salgada, como a do mar, que um náufrago não deve beber, de um azul-perdido". Balbuciei algo. Não lembro. Toquei seus cabelos brancos com minha mão cicatrizada. Abracei-o. E nunca esquecerei o que lhe disse: Te amo, te amo meu pai. Acordei. Mas nunca esquecerei o que lhe disse; uma verdade escondida no inconsciente.

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